Notícia

Retirada de vacinação contra aftosa continua polêmica

Assunto foi debatido em Encontro da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA, em São Paulo A retirada de vacinação contra febre aftosa continua sendo assunto polêmico entre produtores e membros de entidades da pecuária brasileira nesta quinta-feira, 5. O tema foi abordado em encontro da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte, da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), presidida por Antônio Pitangui de Salvo. “Temos que continuar nossos esforços para a erradicação da doença, mas isso não deve acontecer a curto prazo. Acredito que seja um assunto para ser tratado em 2020”, avalia. Segundo De Salvo, o tema deve ser discutido de forma mais ampla, levando em consideração os Estados e países vizinhos. “A maioria dos produtores é contra a retirada de vacinação. Eles têm medo de ficarem ilhados e não ter para onde levar a sua produção”, acrescenta. Em novembro, o Brasil realiza a segunda etapa da vacinação em quase todo o território nacional, devendo imunizar perto de 150 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos. Os produtores que defendem a retirada da vacinação afirmam que o status trará a possibilidade de abertura de novos mercados externos para seu produto, argumento rebatido por André Bartocci, da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). “Isso é um erro. O Uruguai tem os principais mercados premium do mundo e mantêm a vacinação em todo país, o mesmo acontece com Argentina e Paraguai”. A discussão sobre a retirada de vacinação foi recentemente especulada pelo Estado do Paraná. O pleito ganhou força na suinocultura, uma vez que Santa Catarina, único Estado do Brasil livre da doença sem vacinação, não possui mais áreas para abertura da atividade e via na importação da produção do Estado vizinho uma alternativa para abastecer o mercado local. “Antes de falarmos sobre a retirada da vacinação é necessário melhorar o serviço já existente e deixá-lo próximo da perfeição. Para isso é necessária uma força de trabalho conjunta entre os órgãos de defesa e vigilância sanitária Brasil, mas levando em consideração também a América Latina. Acredito que a erradicação da doença de todo o bloco seja mais fácil do que de um país isolado”, avalia Maurício Velloso, da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). Uma das alternativas levantadas na reunião foi a criação de circuitos regionais de vacinação, de acordo com as cinco regiões do Brasil. A estratégia, porém, deve ser reestruturada antes de se chegar a uma proposta final. O encontro contou com representantes de federações regionais de todo o Brasil e de institutos de pesquisas como Embrapa Sudeste e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Portal DBO