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RS: carne bovina deve perder espaço para outras carnes em 2016, diz Agência Safras

Com a intensificação da crise, o mercado de carne bovina deve passar pela continuidade do processo de migração de consumo. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a previsão é que a carne de frango siga ganhando espaço, enquanto que a carne bovina tende a perder consumo durante o ano. Mesmo assim, a tendência é que os preços da carne bovina sigam acima da normalidade, considerando que a oferta de animais terminados ainda está aquém das necessidades do mercado, visto que os preços do gado de reposição permanecem em ótimo nível. Com esse cenário delimitado, a tendência é que os frigoríficos sigam adequando sua produção, de acordo com a escassez de insumos. As exportações são a grande incógnita para o próximo ano, uma vez que o Brasil ainda lida com o déficit de animais terminados, o que ajuda a entender o desempenho constrangedor dos embarques em 2015. Por outro lado, o real segue altamente desvalorizado, o que torna as commodities brasileiras mais competitivas no cenário internacional. Portanto, não há uma situação clara no que diz respeito a volume de embarques, conforme o analista de Safras & Mercado. Preços se sustentaram em patamar bastante elevado em 2015 O principal destaque para a pecuária de corte em 2015 esteve na trajetória dos preços. Durante todo o ano, os preços se sustentaram em um patamar bastante elevado. No mercado paulista, o valor sempre esteve acima de R$ 140/@. Em um ano de intensa recessão é fácil perceber que o problema não passa pela demanda. É um problema de oferta. “A queda dos abates em torno de 13% aponta para isso”, exemplificou o analista. O cerne do problema passa diretamente pelo encarecimento do gado de reposição. Bezerro e boi magro se sustentaram em patamares recordes no decorrer do ano, o que oferece sustentação aos preços do boi gordo. Em geral, os preços da carne bovina estiveram bastante acima da normalidade em 2015. Em decorrência de um problema de oferta, bastante relacionado à queda dos abates e ao encarecimento do gado de reposição. No último bimestre, o quadro se mostrou mais atípico ainda, com preços em queda justamente no período que marca a maior demanda do ano. Isso é uma consequência do satisfatório avanço das escalas de abate, destoando do restante do ano. Em 2015, a demanda interna apresentou redução no decorrer do ano. Isso é bastante natural, uma vez que a recessão aliada ao descontrole inflacionário faz com que o consumidor médio busque alternativas ao consumo. No caso, a carne de frango ganhou uma importante parcela do mercado em 2015, afinal, esta é a proteína de origem animal mais acessível ao consumidor em geral. A oferta em todo ano esteve abaixo da normalidade. Mais uma vez a queda dos abates e o encarecimento do gado de reposição podem ser apontados como responsáveis por esse quadro. Os frigoríficos foram obrigados a se readequar os negócios, lidando com oferta restrita. Por conta disso, algumas unidades encerraram as atividades no decorrer do ano. Da mesma maneira, em diversos períodos do ano, os frigoríficos optaram por trabalhar abaixo da capacidade ociosa. A queda dos abates aponta para volume de negócios abaixo do verificado em anos anteriores. De uma maneira geral, as exportações de carne bovina deixaram a desejar em 2015. Isso mais tem a ver com a redução da oferta de animais terminados durante este ano do que da redução da demanda externa. Os embarques devem encerrar o ano com queda entre 10 e 13% se comparado a 2014. Fonte: Agência Safras